sábado, 26 de dezembro de 2015

Tangyuan em sopa doce - Para uma Ano Novo esplêndido


Caros Amigos, espero que tenha tido um excelente Natal. Este ano resolvi me recolher, de tudo. Muitas vezes, li nas crônicas vampirescas de Anne Rice que seus fantásticos e superpoderosos vampiros se recolhiam da agitação do mundo por uns tempos – “o chamado da terra” – o até que “o chamado do mundo” os fizesse retornar ainda mais fortes. Li isso nas crônicas, compreendi o significado, mas não pensei que eu, um dia, fizesse isso. Pois, me recolhi.
Resolvi me recolher nessas festas, e fiz a melhor das escolhas fazendo isso. Minha atitude teve inspiração espiritual, e hoje percebi o valor da importância lendo uma passagem da Lya Luft, que eu recomendaria muito a leitura. Por isso, coloquei o trecho que diz assim:
" Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambiguidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos."
Mas o meu recolhimento vai além... e não precisa ser explicado aqui apenas para justificar minha ausência do blog. Contudo, e como sempre, há uma receitinha para ser compartilhada. Desta vez, vem da tradição oriental, para trazer boas vibrações para o Ano Novo, e muito de fazer. Chama-se  Tangyuan.


Tangyuan é um bolinho típico chinês feito de arroz glutinoso. Ele pode ser servido em sopa ou para comer sem acompanhamento. Pode ser doce ou salgado, pequeno ou grande, com ou sem recheio.
Na China o Tangyuan é comido durante todo o ano, porque é vendido como alimento congelado muito popular em muitos supermercados asiáticos. Mas na maioria das vezes, é comido durante o Festival das Lanternas e Ano Novo chinês.


Na China, há duas versões diferentes falando sobre o lugar de origem do Tangyuan vem: No Norte da China, a lenda vem da era Yongle da dinastia Ming. Naquela época, Tangyuan era chamado de 'Yuanxiao' (元宵), e foi obtido a partir Festival Yuanxiao, também conhecido como o Festival das Lanternas. Yuanxiao significa "primeira noite", que é a primeira lua cheia depois do Ano Novo Chinês e é sempre uma lua nova. No sul da China, Tangyuan também é chamado de 'Yuanxiao' (元宵). Mas desde 1912, quando Yuan Shikai (袁世) tornou-se o primeiro presidente da República da China, o nome foi mudado para Yuanxiao. Yuan Shikai sempre quis se tornar um imperador, mas ele estava com medo que o povo da República da China se opusesse a ele já que seu primeiro nome Yuan era a primeira para do  nome do bolinho e a parte final do novo nome do  bolinho (xiao) significava também "erradicar".



Portanto, pensar no  bolinho como Yuanxiao (元宵) fazia lembrar ao povo da China que teria que erradicar  o da República da China, ou seja, para remover Yuan Shikai de lugar do presidente. Em 1913, antes do Festival Yuanxiao (festival de lanterna), Yuan Shikai decidiu mudar o nome Yuanxiao (元宵) para Tangyuan (汤圆). A partir de então, Tangyuan tornou-se o nome oficial deste alimento.
 Os recheios também podem ser diferentes dependendo da região em que são preparados. Assim, no sul: há recheios doces como o de açúcar e gergelim, flores osmanthus, pasta de feijão doce e casca de tangerina cristalizada, enquanto no norte, são os preferidos recheios salgados, incluindo carne e legumes picados.






Para muitas famílias na China continental, bem como no exterior, tangyuan é normalmente consumido junto com a família. Por este motivo a forma redonda das bolas e das tigelas em que são servidos, simbolizam paz e união familiar. E eles podem vir coloridos, representando alegria, e corantes são adicionados na massa para garantir o colorido. Mas o branco é o tradicional para comemorar o Ano Novo.

Tangyuan

4 xícaras de farinha de arroz glutinoso (Motigome, consegue fácil nas lojas de produtos asiáticos, japoneses e em bons supermercados)
220 ml de água morna
200 ml de água fria
Recheio
14 colheres de sopa de pó de gergelim preto
14 colheres de sopa de açúcar
10 colheres de sopa de manteiga sem sal
Sopa doce
3 xícaras de água
½ xícara de açúcar (pode ser mascavo também)
gengibre cortado ao gosto
anis estrelado (opcional)
Preparo: Sopa doce: Misture tudo e leve ao fogo até formar uma calda fina; retire do fogo e deixe esfriar. Sirva as bolinhas nessa calda. Comece pelo recheio. (Um segredo para dar certo, sem desculpas, é nessa hora de fazer as bolinhas, fazer a mistura em metades, ou seja, misturar primeiro 7 colheres de pó de gergelim, com 7 colheres de açúcar, que pode ser mascavo, e 4 colheres de manteiga derretidas. E só depois d éter terminado de fazer as bolinhas com essa primeira parte você fará a segunda. Coisa da paciência oriental. O mesmo serve para a massa abaixo). Misture o pó de gergelim preto e o açúcar. Derreta a manteiga sem sal e adicione a mistura de pó de gergelim preto juntos. Misture bem até unir. Faça da mistura pequenas bolinhas com toda a massa. Levar a geladeira em uma forma com as bolinhas espaçadas para não grudarem. Massa: pegue 2 xícaras de farinha de arroz glutinoso e adicione 110 ml de água morna e misture até toda farinha estar bem unida e em seguida, adicione 100 ml de água fria e misture formando uma pasta lisa. Pegue pequenas partes da pasta e alise-os com a palma da sua mão. Coloque a bolinha de recheio na massa e depois feche como uma bola. Levemente enrole delicadamente na palma da mão como se fosse uma brigadeiro. Assim faça toda a receita e leve a geladeira por uns 15 minutinhos. Depois de frias, leve para ferver uma panela com água (cerca de 4-5 copos), e em seguida, solte as bolas na água fervente com cuidado. Assim que elas flutuarem até o topo, como se fossem nhoques, elas estarão prontas para comer. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Vzvar: bebida tradicional do Natal russo


Para quem gosta de bebidas diferentes a Kzvar é uma típica bebida russa, não alcoólica, bastante comum no Natal naquele país. Pelo sabor e qualidades nutricionais é incomparável e se tornou bastante popular, principalmente por ajudar a esquentar no intenso inverno russo, quando  é bebida quente – mas a bebida também pode ser apreciada fria.
Na Rússia, a primeira menção escrita à Vzvar refere-se ao ano de 989, quando o Príncipe Vladimir de Kiev chamou seus súditos ao cristianismo. Nos anais daquela ocasião estava escrito - "distribuía alimentos, mel e Vzvar para o povo”.


A palavra Vzvar é certamente de origem russa e significa "bebida amarga." No entanto, por uma questão de objetividade, observa-se que até oito mil anos atrás a Vzvar era algo semelhante à cerveja - bebida feita a partir de cevada, algo entre Vzvar moderno e cerveja - preparada pelos antigos egípcios. A Vzvar de frutas já era conhecida na antiga Babilônia, mas conseguiu se espalhar pela Mesopotâmia.
Figuras históricas famosas como Heródoto, Plínio, o Velho, e Hipócrates, deixaram descrições de bebidas muitos parecidas com Vzvar. Além disso, Hipócrates apontava propriedades curativas desse tipo de bebida.


Os primeiros tipos de Vzvar eram feitas de diferentes tipos de grãos: centeio, cevada, aveia, milheto. Receitas naquela época eram de cerca de mil: havia Vzvar com hortelã e uvas passas; Vzvar de centeio esmagado com malte de cevada; Vzvar do norte feitas a partir de farinha de centeio, farinha de musgo islandês e folhas de groselha preta; Vzvar branca, vermelha; Vzvar feitas de bolachas, gengibre, morangos, cerejas, peras, ameixas... Ou seja, existiam Vzvar diferentes cuja fórmula variava de acordo com as produções locais, clima, época do ano e de acordo com os gostos da família e anfitriões.


A partir da literatura é conhecida a habilidade de cozinhar deliciosas e, picantes Vzvar eslavas, de forma artesanal, e daí é difícil inumerar a quantidades de tipos de Vzvar existentes – principalmente porque cada morador pode ter sua propia receita em casa.
No século XIX, o povo russo não podia fazer nada sem Vzvar, que era usada antes, durante e depois do trabalho, antes e após as refeições. Vzvar era a bebida de cada dia.  Como foi amplamente espalhado a kvasovarenie na Rússia, como mostra o trabalho do médico LI Simonov, publicado em 1898, em que o autor escreveu: "... A produção de Vzvar é comum aqui: ela é cozida por camponeses, burguesa, comerciantes e fazendeiros, nos mosteiros e os quartéis, hospitais; existindo nas cidades instalações para o preparo e venda da Vzvar e os mestres Vzvar. Os médicos acreditam que o nosso Vzvar é bebida de higiene e benéfica não só para as pessoas saudáveis, mas também para os pacientes. Nos últimos anos, os médicos estão começando a prestar atenção à Vzvar russa e recomendá-la à Europa Ocidental. "


Vantagens da Vzvar estão relacionadas com a presença de substâncias aromáticas encontradas na bebida. E além delas, os efeitos benéficos da Vzvar no processo de digestão em seres humanos são explicados pela presença de bactérias de ácido láctico encontrado na bebida. Portanto a Vzvar provoca o mesmo efeito que os produtos lácteos: contém açúcares de fácil digestão, vitaminas e outras substâncias. Vzvar melhora o apetite, tem um alto poder calorífico. As bactérias da fermentação do ácido láctico enriquecem a bebida com vitaminas B, B2, PP, B e ácido láctico. Estas qualidades definem a aromática Vzvar que restaura a força e melhora o desempenho para grandes cargas de trabalho. O sabor da Vzvar é uma impressão indelével para estrangeiros que visitam a Rússia.



A Vzvar russa é sempre associada a várias crenças e superstições. Além de estar descrita em rituais mágicos – o que indica um compromisso especial para com a bebida. A Vzvar é preparada especialmente para celebrações especiais como casamentos e nascimentos de crianças. Como ferramentas mágicas e terapêuticas foram utilizadas Vzvar com sal após a preparação da bebida.



Independentemente da origem e do significado, se você gosta de ter algo “diferente” para servir aos convidados, que tal experimentar  o preparo desta  bebida?

Vzvar

4-5 maçãs ou / e peras secas
4-5 ameixas secas
2 colheres de sopa de cerejas secas
2 colheres de sopa de uvas  passas
5 xícaras de água
1/4 xícara de açúcar ou mel (a gosto)
Preparo: Lave os frutos secos em água morna. Coloque as frutas secas em uma panela, adicione a água e cozinhe em fogo baixo por 30 minutos. Adicione o açúcar e as passas, ferva por e 30 minutos, com panela tampada . Sirva quente ou  frio. Quando for servir escorrer as frutas. Para armazenar  deixar  com as frutas e fechar como  se fosse uma compota.

Obs.: há quem adicione especiarias nessa mistura durante o cozimento, então sugiro você utilizar as que mais gosta. Canela, cravo e gengibre caem muito bem. E quem sabe ir além e preparar uma gelatina com ela. Veja receita abaixo:

Gelatina de Vzvar
4 xícaras de vzvar frio
2 envelopes de gelatina incolor
Preparo: polvilhe a gelatina sobre 1 xícara da vzvar fria em uma panela, deixe descansar por 1 minuto. Leve ao fogo mexendo até a gelatina se dissolver completamente, junte as 3 xícaras restantes de vzvar e misture bem. Despeje em  taças e leve à geladeira até firmar.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Christmas cake - O Bolo de Frutas para o Natal


Eu confesso que, quando criança, eu não era muito fã de bolos com frutas, mas com o passar dos anos aprendi a gostar – principalmente de bolos com frutas secas. Geralmente nesta época do ano aparecem frutas em muitas preparações culinárias natalinas e os bolos de Natal não são os mesmo sem elas. Algumas das receitas mais famosas já tratei AQUIAQUIAQUI e AQUI..mas hoje quero me deter especialmente ao bolo de frutas que carregam a alcunha de bolos de Natal, para tentar entender sua história – e quem sabe sua evolução.


O que mais me agrada nos bolos de frutas é poder utilizar na massa todo tipo de fritas e especiarias exóticas que eu tenho no armário, e no final transformar tudo em um resultado maravilhoso. A tradição diz que os bolo de Natal, de frutas, devem ser feitos em novembro – sei de casos em famílias inglesas que já fazem com muito mais tempo de antecedência. O que deixa esses bolos conservados por este tempo todo é a adição de bebida alcoólica com que se rega o bolo de tempos em tempos – esse é o pulo do gato para se armazenar este tipo de bolo!
Toda essa história começou no século XIII, quando os britânicos incluíram frutas secas em seus pães, e depois nos bolos, que até aquele período não incluíam ovos na receitas. Embora se saiba que os frutos secos estejam presentes a muito tempo na alimentação humana, o bolo de Natal, geralmente é um bolo de frutas, conhecido como fruitcake, é uma preparação tradicionalmente inglesa.



O nome "fruitcake" pode ser rastreados até a Idade Média, sendo formado a partir de uma combinação de a fructus Latina, e Frui ou Frug francês. A referência mais antiga que pode ser encontrada sobre um bolo de frutas remonta à época romana. A receita incluía sementes de romã, pinhões, passas que foram misturados em mosto de cevada. Mel, especiarias e frutas em conserva foram adicionados durante a Idade Média.
Em 1400 os britânicos começaram seu caso de amor com fruitcake quando conheceram as frutas secas do Mediterrâneo pela primeira vez. Já em 1647, o puritano Oliver Cromwell aprova a lei para toda a Inglaterra proibindo banquetes e festas Natalinas, e argumentando principalmente que os bolos de frutas eram considerados “ricamente pecaminosos” para a data religiosa. Quem era pego comemorando, era preso! A proibição caiu em 1660.



Em1700, na Europa, um tipo cerimonial de fruitcake era cozido no das épocas de colheita e conservados para ser comido no próximo ano para comemorar o início da próxima safra, esperando que ele traria outra colheita bem sucedida.
Entre 1837 e 1901, os bolos de frutas eram extremamente populares. Um chá na Era Vitoriana não estaria completo sem bolos de frutas, Dizem, inclusive, que a rainha Victoria teria esperado um ano para comer um bolo de frutas que ela recebeu em seu aniversário porque gostaria de sentir um gosto melhor.
Uma antiga tradição inglesa conta que as convidadas solteiras de casamentos ingleses colocavam uma fatia do bolo de casamento, tradicionalmente um bolo de frutas, sob seu travesseiro à noite, então elas iriam sonhar com a pessoa que iriam se casar. Aliás, o bolo de frutas inglês se disseminou no Brasil por meio dos ingleses existentes em Recife, Pernambuco, que com sua confeitaria delicada deram origem a uma receita tradicional pernambucana para bolo de casamento.
Mais tarde se descobriu que ovos batidos ajudam o bolo a crescer, como na receita do Sr. Herbert M. Bower para Ripon Plum Cake or Christmas Cake (Bolo de Natal) incluído na coleção de 1939 Florence White's, intitulada Good Things in England (Coisas boas da Inglaterra) que contem nada menos que sete claras batidas em neve até formar picos bem duros. 



 Já Annie Bell usa bicarbonato de sódio como agente de aumento na receita do the All Gold Christmas cake em seu livro Gorgeous Christmas –  adicionado a uma panela quente de manteiga derretida e suco de maçã, faz o bolo crescer espetacularmente.  



Enquanto o fermento em pó, usado como  agente de fermentação é atualmente mais utilizado em bolos, mas ele só passa a ser usado na receita do Victorian Christmas Cake que apareceu  na obra Christmas Collection escrita por Mary Berry; na receita da lendária confeiteira Claire Clark em Indulge, conhecido como as Dan Lepard's Black Christmas Cake; e mais recentemente no Christmas Cake de Nigella Lawson.



Embora existam muitas receitas diferentes um bom bolo de frutas deve: ser macio e ao mesmo tempo solido – textura que só é conseguida quando se usa fermento em pó; teve ter um bom melado e boas frutas secas e castanhas.
 As receitas da Nigella e Annie Bell são para "bolos de frutas cozidos" - o que não significa que do bolo foi literalmente mas que alguns ingredientes são cozidos durante a preparação do bolo para manter uma maior umidade no final da receita.




Este velho truque significa que não há necessidade de bater a manteiga e o açúcar vigorosamente para se obter um creme perfeito - o que economiza tempo; ou mesmo pré-mergulhar os frutos secos em bebidas alcoólicas, como sugerem as receitas de Mary Berry e Claire Clark para se ter um resultado final úmido. Eu estou com eles sobre a umidade -  particularmente não gosto deste último caso pois vejo que os frutos secos ficam demasiadamente encharcados em bebida e perdem seu sabor.
Mas quando se fala em mergulhar frutas em bebida, mergulhar em que?
Marry, opta por xerez; Annie Bell usa suco de maçã; Nigella usa rum. Mas ainda há quem use uísque, conhaque, rum escuro, suco de laranja e até chá. Ou seja, o seu gosto é quem manda em que mergulhar (ou não) suas frutas secas. Para mim, o uísque combina bem, mas se quer deixar mais doce, o rum é uma boa opção.



Um bom dolo de frutas secas deve ter doçura na medida. Assim misturar farinha de amêndoa nas mistura e usar açúcar mascavo é a solução perfeita, além de usar um melado de qualidade – ou mel, caso não tenha melado. O doce desse bolo fica bem equilibrado com quando se mistura ameixas e damascos secos, tâmaras secas, cerejas cristalizadas, figos secos, uvas passas. Há também quem utiliza uma boa geleia de damasco, um pouco de chocolate, é a imaginação quem vai mandar.



E as especiarias fazem toda a diferença, pois um bolo de Natal perfeito deve ser picante e rico. Assim, deixo abaixo duas receitas deliciosas para bolo de Natal, uma com frutas e outra sem elas – mas a partir dessas receitas você pode criar a sua.

BOLO DE NATAL
350g de ameixas secas cortadas
250g de passas
125g de corinto (um tipo de uva)
175g de manteiga sem sal, amolecida
175g de açúcar mascavo
175ml de mel ou  melado (se tiver)
125ml de licor de café
Suco de 2 laranjas
2 colheres (sopa) de cacau em pó
3 ovos batidos
150g de farinha de trigo
75g de amêndoas
1/2 colher (chá) de fermento em pó
1/2 colher (chá) de bicarbonato de sódio
Decoração: enfeites comestíveis à gosto

Preparo: Preaqueça o forno a 150ºC. Coloque as frutas, manteiga, açúcar, mel, licor de café, suco de laranja, cacau em uma panela grande. Aqueça a mistura até que ela ferva, mexendo-a enquanto a manteiga derrete. Deixe a mistura ferver por dez minutos. Retire a panela do fogo e deixe repousar por 30 minutos. Após 30 minutos, a mistura vai ter esfriado. Adicione os ovos, a farinha, as amêndoas trituradas, o fermento em pó e o bicarbonato de sódio e misture bem com uma colher de pau ou espátula até que os ingredientes se misturem. Cuidadosamente, derrame a mistura do fruitcake na forma de bolo. Leve o bolo ao forno para assar durante uma hora e meia a duas horas, ou até o topo do bolo ficar firme. Tire do forno e espere o bolo esfriar para tirá-lo da forma. Decore à gosto.

BOLO QUENTE DE NATAL (SEM FRUTAS)
150g de farinha
100g de açúcar mascavo
1 colher (chá) de fermento em pó
2 colheres (chá) de gengibre em pó
2 colheres (chá) de mix de especiarias (cravo, canela, alcaravia e semente de coentro)
125ml de leite integral
60ml de óleo vegetal sem sabor
1 ovo
6 colheres (chá) de manteiga
500ml de água fervente
350ml de double cream
125ml de advocaat

Preparo: Em um recipiente, junte a farinha, o açúcar mascavo, uma colher de chá de gengibre, uma colher de chá de mix de especiarias e o fermento. Adicione o leite, o óleo e o ovo e misture. Despeje a massa em um tabuleiro untado e coloque por cima uma colher de chá de gengibre em pó e uma colhe de chá do mix de especiarias. Espalhe seis colheres de chá de manteiga pelo tabuleiro. Por fim, despeje a água fervente sobre tudo (vai parecer uma catástrofe, mas nãos e assuste, no fim tudo dará certo! Leve a mistura ao forno pré-aquecido a 220 ºC por 30 minutos.

sábado, 14 de novembro de 2015

Pudding du chômeur (Pudim dos Desempregados)


A criatividade humana sempre me anima. Tenho visto muitas produções dessa criatividade ultimamente, circulando pelas redes sociais. É bonito ver as pessoas criado. E o pensamento criativo gera uma energia fantásticas. Isso me empolga, principalmente quando as pessoas inovam e geram novidades para enfrentar períodos de crise. Pensando nisso fui buscar uma receita que surgiu um período difícil, como o que estamos vivendo, e ela será o tema de hoje. Apresento a vocês o Pudding du chômeur.


O Pudding du chômeur, que traduzido ao pé da letra significa pudim do desempregado, é uma sobremesa tradicional canadense, tipicamente da região de Quebec e Acadian, criada na época da Grande Depressão (1929), onde a crise econômica avassaladora obrigava as famílias a ter cautela nos gastos, com limitações, e usar produtos baratos. Isso afetou diretamente a cozinha, pois as famílias tinham que comer e cozinhar sobremesas com ingredientes mais baratos – motivo que desenvolveu a criatividade das pessoas na cozinha para superar a crise.


Existem algumas versões sobre a origem da sobremesa. As mais consideradas são as seguintes:
A primeira conta que esta sobremesa teria nasce com a Grande Depressão das mãos de Georgette Falardeau, mulher de Camilien Houde, então prefeito de Montreal. A Primeira dama daquela cidade teria imaginado este mimo para confortar, com uma boa dose de açúcar mascavo, as mulheres dos trabalhadores atingidos por demissões em massa. Daí o nome: pudim dos desempregados




A outra versão diz que a sobremesa foi criada por trabalhadores de uma fábrica, durante a Grande Depressão, quando as mulheres das cozinhas tinham que preparar as refeições com poucos ingredientes que dispunham que incluía manteiga, farinha, leite e ovos.


Durante a crise econômica, o caramelo que banha a massa era feito a partir de açúcar mascavo, pois o açúcar era mais barato. No entanto, mais tarde foi substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup). Esta sobremesa é considerada um dos elementos básicos da cozinha Quebec, sendo inspirada em técnicas culinárias francesas adaptadas ao novo contexto. O caramelo de açúcar mascavo substituído pelo xarope de bordo (Maple Syrup) ilustra perfeitamente a cozinha sincrética daquela província desde o início da colonização, os ingredientes indígenas combinados com técnicas de receitas tradicionais europeias.
O pudim dos desempregados é muitas vezes o centro das atenções nas mesas de Quebec até recentemente. E, embora um bolo/pudim caramelado aparece em muitas partes do mundo, estes é um "prazer que os canadenses - ou melhor, os quebequenses – mantem para eles".
Que tal preparar esse pudim criativo, prático e rápido de ser feito para adoçar também a sua vida? E deixo uma sugestão: aqui no Brasil, principalmente no Nordeste, temos  mais facilidade de encontrar mel de engenho (mel de cana de açúcar), quem sabe a ousadia permita você a preparar esse pudim com mel de engenho...

Pudding du chômeur (Com calda de açúcar mascavo)

2 xícaras de farinha
¾. Xícara de açúcar
4 colheres chá de fermento em pó
½ colher de chá de sal
4 colheres de sopa de manteiga derretida
1 xícara de leite
Calda: 2 xícaras de açúcar mascavo
2 xícaras de água
Essência de bordo
Preparo: junte a farinha, o fermento, o açúcar e o sal. Adicionar o leite e misturar bem, depois juntar a manteiga derretida. Colocar a massa em uma assadeira untada com manteiga e colocar a calda ainda quente por cima e levar ao forno pré-aquecido por 30 a 40 minutos.
Calda: juntar o açúcar, a agua e a essência e levar ao fogo por  uns 5 minutos até ferver.

Pudding du chômeur (com calda de maple Syrup)

2 copos (500 ml) de xarope de bordo
2 xícaras (500ml) de creme de leite fresco
160g (2/3 de xícara) de manteiga em temperatura ambiente
200g (1 xícara) de açúcar
2 ovos
280g (2 1/3 xícaras) de farinha
1 colher de chá de fermento em pó

Preparo: Pré-aqueça o forno a 425 ° F (210 ° C). Ferva o xarope de bordo e creme de leite em uma panela. Deixe ferver de 3 a 4 minutos, em seguida, retire do fogo. Bata a manteiga e o açúcar. Adicione os ovos e bata mais um pouco. Em outra tigela, peneire junto a farinha, o fermento e o sal. Misture os secos peneirados com a mistura anterior. Despeje a massa em uma forma untada. Cubra a preparação com xarope de bordo e leve ao forno por 20-30 minutos Esta receita deve ser comida quente.  

domingo, 1 de novembro de 2015

ETON MESS


Tem dias que a gente acorda desejando uma bela sobremesa para deixar a vida mais doce.  O ruim desse desejo é que, nem sempre, a gente tem coragem para fazer algo deliciosos, e comprar algo que nos agrade está cada vez mais difícil (seja pelo preço exorbitante ou pela qualidade que nem sempre está à altura do nosso desejo). Nessas horas é apelar para que milagres acontecem (risos). Eu acredito em milagres.
As vezes o milagre acontece quando menos se espera por eles. É o caso da postagem de hoje, que apresenta a Eton Mess.


Eton Mess é uma tradicional sobremesa britânica, que consiste de merengues, com deliciosos morangos frescos envolvidos em um creme macio. Mas existem outras versões com outros tipos de frutas.
A origem dessa sobremesa remonta a uma bagunça que foi um verdadeiro milagre culinário:
A Eton Mess (Mess, em inglês, significa confusão, bagunça) foi criada no famoso Colégio Inglês Eton, em Windsor, na Inglaterra. Era uma preparação tradicionalmente servido em uma celebração anual daquele colégio a cada 4 de junho. O Eton College foi fundado em 1440 pelo rei Henrique IV e tem uma longa lista de alunos ilustres, incluindo o primeiro-ministro David Cameron e o príncipe William.

Eton College

Esta sobremesa ficou especialmente conhecida pelo nome "Eton Mess" desde o século XIX. De acordo com o livro Dairy, de Robin Weir, a Eton Mess era servida no Eton College desde a década de 1930 e foi originalmente criada com os morangos ou bananas. As frutas eram misturadas com sorvete ou creme, e o meregue foi adicionado tempos depois, por um cozinheiro chamado Michael Smith.



Quanto ao nome da sobremesa a explicação é bem óbvia: nome Eton Mess foi tirado de duas partes; a primeira palavra Eton foi, obviamente, tomado de Eton College, onde a sobremesa originou. A palavra Mess (confusão/bagunça) refere-se a aparência do prato, que originalmente não é muito arrumada.



Há muitas lendas sobre a origem dessa receita, porém a mais comentada é que durante um jogo anual de cricket no Colégio Eton, um cachorro da raça Labrador sentou-se sobre a cesta de piquenique que continha uma pavlova de morango, e acabou esmagando-a. As crianças não se importaram e se deliciaram com a sobremesa, que então virou moda.
Para garantir o sucesso dessa sobremesa é fundamental ter ingredientes de boa qualidade; Logo, ter frutas orgânicas são sempre uma boa opção. Os suspiros você pode comprar numa padaria, caso não saiba preparar. E o creme para misturar pode ser o que você preferir. Mas aqui vai uma sugestão para você prepara sua Eton Mess.

Eton Mess

1 xícara de morangos lavados, secos e picados
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 colher de sopa de aceto balsâmico
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de açúcar refinado
1 Xicara de suspiros quebrados
1 xícara de creme de leite fresco bem gelado

Preparo: Separe todos os ingredientes. Coloque no congelador o creme de leite e a vasilha que você irá utilizar para bater o chantilly, em quanto isso prepare os morangos. Remova os cabinhos dos morangos, e lave-os um a um. Deixe os morangos sobre papel toalha para secarem. Pique os morangos em cubinhos (meça uma xícara), adicione uma colher de açúcar, o extrato de baunilha, o aceto balsâmico com uma pitada de sal. Misture e reserve. Quebre os suspiros e reserve. Separe as taças ou a travessa em que você irá montar a sobremesa. Faça o chantilly: junte o creme de leite com duas colheres de açúcar e bata na batedeira, até obter um creme consistente. Não bata por muito tempo, pois o creme pode virar manteiga. Para montar a sobremesa, faça camadas de chantilly, morangos e suspiros. Sirva em seguida.

Dicas: Você também pode fazer uma camada de banana em rodelas, e para a banana não escurecer é só pingar umas gotinhas de limão.
Se você quiser algo menos calórico pode trocar o chantilly por iogurte grego.
Faça essa sobremesa quase na hora de servir, pois os morangos soltam bastante agua, e você perderá a crocância dos suspiros.

Banana Eton Mess

4 bananas
150ml de creme de leite
150 ml crème de confeiteiro
Para o merengue:
3 claras
150g de açúcar
Meia colher de chá de vinagre de xerez
Para o molho:
100g macio açúcar mascavo
100g de manteiga
100ml de creme de leite
1 colher de sopa de rum
Servir:
150g de amêndoa, noz-pecã e passas

Preparo: Pré-aqueça o forno a 180ºC. Para o merengue: Bata as claras em neve até estarem firmes em seguida, junte o açúcar em colheradas, colocando uma colher de cada vez. Misture delicadamente no vinagre. Coloque em um saco de confeiteiro, e faça o formato que desejar em uma assadeira com papel manteiga. Leve ao forno para assar com uma colher de pau na prendendo na porta do forno, por cerca de 45 minutos Para o recheio: Bata o creme de confeiteiro e o creme de leite juntos; corte as bananas, misture metade com o creme e a outra metade com o molho. Para o molho: Coloque todos os ingredientes do molho em uma panela e deixe ferver até engrossar, deixe esfriar. Para servir coloque uma colherada da mistura cremosa em um copo de coquetel, em seguida, alguns merengues quebrados, um pouco de nozes e molho, repetir até terminar.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Baixaria acreana

Calma. Não vá pensando besteiras. Essa baixaria não é do tipo que ultimamente tem ganhado força nos noticiários dos telejornais. Trata-se apenas de uma expressão que ganhou força nas ruas do Acre - e há quem diga que essa baixaria é deliciosa...
A baixaria acreana é uma preparação culinária que se comia no mercado do Borque, naquele estado, tempos atrás, quando se saia das festas (baladas), mas que atualmente se encontra em todos os lugares podendo ser comido a qualquer hora. Por lá, todo mundo conhece e se fala dessa baixaria com naturalidade. 
Para o batismo deste prato existiram diversas baixarias, contadas com particularidade, nas ruas acreanas, vejamos algumas delas:


Pelos anos de 1970, período em que o Acre foi invadido subitamente pro vaqueiros e fazendeiros, certo dia, muito cedo, chega ao Mercado do Bosque, em Rio Branco, um desses vaqueiros capas de comer um boi em cada refeição e foi logo perguntando: ô Dona Maria, que tem para comer aí? A mulher respondeu que tinha o de sempre: mingau, pão de milho (cuscuz), tapioca, carne moída, café... enfim falou tudo o aquela dispunha. O Vaqueiro emendou: Pois me coloquei ai então pão de milho, carne moída e frita dois ovos. A Dona Maria para tornar o prato imenso, mas querendo deixa-lo bonitinho, acrescentou cheiro verde por cima e entregou ao vaqueiro que devorou tudo, e só depois perguntou: Então Dona Maria, quanto é que fica toda essa baixaria que comi? E desse episódio surge o nome para este prato típico da culinária acreana que tornou-se repetido no mercado do Bosque, ganhando fama e espalhando o nome pela população.


Outra versão conta que, o nome surgiu para separar uma briga depois que dois jornalistas debocharam de um grupo de pessoas que chegava de uma festa para tomar café no mercado. Eles já estavam bêbados, quando chegou umas senhoras de vestido longo e uns homens de fraque e gritaram: 'lá vem a baixaria', então para não virar uma confusão uma certa senhora chamada Toinha disse que baixaria era o prato que eles pediram.


Mas independente da baixaria que originou o prato, o nome pegou e foi popularizado nos anos 80 pelo jornalista Wilson Barros, que publicou algumas matérias comentando sobre a novidade no mercado.
Eu adoro cuscuz de muitas maneiras, mas confesso que não sou muito fã de carne moída, mas essa baixaria é algo interessante para se experimentar.

Baixaria acreana
Cuscuz:
200g Flocos de milho pré-cozidos
½ xícara (chá) de água
1 colher (sopa) de manteiga derretida
Sal a gosto
Carne moída:
: ½ kg musculo moído
1 colher (chá) rasa de sal
Pimenta-do-reino moída ½ colher (chá)
Pimenta-malagueta curtida a gosto
1 colher (chá) de Vinagre de vinho tinto
6 dentes de alhos picados
3 colheres (sopa) de óleo
3 tomates maduros, sem sementes e em cubos pequenos
1 cebola pequena, em cubos médios
Colorau: 1 colher (chá) de colorau
½ xícara (chá) de agua
6 ovos
Cebolinha picada a gosto

Preparo: Cuscuz: Hidrate os flocos de milho na água, deixe descansar por 15 minutos. Misture o sal e a manteiga derretida. Coloque numa cuscuzeira e leve ao fogo por 25 minutos. Reserve. carne moída: Tempere a carne moída com o sal, a pimenta-do-reino, a pimenta-malagueta, o vinagre e o alho. Incorpore a mistura com as mãos. Acerte o sal. Numa panela aqueça o óleo, junte a carne e refogue. Antes que o líquido liberado pela carne seque completamente, junte o tomate, a cebola e o colorau. Refogue mais 15 minutos. Acrescente água e cozinhe por mais 10 minutos. Finalização: Monte o prato com o cuscuz esfarelado, regado com um molhinho de carne moída. Coloque sobre a mistura um ovo frito na hora, com a gema mole, e salpique cebolinha.